segunda-feira, 14 de outubro de 2019

A Segunda Carta de Pedro


 2 Pedro trata dos problemas internos,  Pedro escreve com o intuito de advertir os crentes acerca dos falsos mestres que estão tentando prejudicar a doutrina.
Ele começa insistindo com eles para manter estrita vigilância sobre sua vida pessoal.
A vida cristã demanda diligencia no cultivo da excelência moral, do conhecimento, do domínio próprio, da perseverança, da piedade, da fraternidade benigna e do amor altruísta. 
Ao contrario disso, os falsos mestres são sensuais, arrogantes, ávidos a cobiçosos, escarneciam da idéia de um juízo futuro e se entretiam como se o presente fosse o padrão para o futuro. 
Pedro lembra‑lhes de que, embora Deus usasse de longanimidade antes de enviar seu juízo, por fim ele viria. 
Em vista desse fato, os crentes devem viver de forma piedosa, inculpável e inabalável.

CONTEÚDO

O autor se identifica como “Simão Pedro” (1,1) e “testemunha” de Cristo (1,16-18). Mas, ao contrário de 1Pd. que foi logo aceita como autêntica e canônica, sobre 2Pd já na Igreja antiga pairaram dúvidas devido à grande diferença de linguagem entre as duas epístolas. 
A tardia aceitação da epístola pelas igrejas orientais e ocidentais (séc. V/VI) e a sua dependência da epístola de Judas, composta após a morte de Pedro, levou a maioria dos exegetas a negar a autenticidade de 2Pd.
A carta foi escrita entre os anos 70 e 125 dC. Os leitores da carta são os mesmos de 1Pd, pertencentes às comunidades da Ásia Menor e todos eles cristãos (1,1). 
Os hereges combatidos parecem ser os mesmos visados pela epístola de Judas: gnósticos libertinos que, a pretexto de possuírem o Espírito, desprezam as leis morais (2,1–3,3) e negam a parusia (3,4-10).

Após criticar severamente os hereges pelos erros doutrinários (2,10-11) e desmandos de ordem moral (2,12-19), o autor aborda o tema central da epístola, a volta gloriosa de Cristo (3,4). A doutrina da parusia de Jesus Cristo não é fantasia, mas vem dos apóstolos (cf. 1,16-18) e foi anunciada pelos profetas (1,19-21).
O Dia do Senhor parece tardar (3,4), pois para Deus que pacientemente aguarda a conversão do pecador (3,9), “um dia é como mil anos e mil anos como um dia” (3,8). 
Fiel aos deveres da vocação e à graça recebida (1,3-11) o cristão se prepara para a vinda do Senhor, quando Deus porá fim à realidade presente e criará novos céus e nova terra, onde mora a justiça (3,12-14).
Ele insiste em que a mensagem sobre Jesus Cristo não consiste em "fabulas engenhosamente inventadas"; ele pessoalmente declara ter ouvido as palavras faladas por ocasião da transfiguração (1.16‑18). 
Os falsos mestres que a epístola tem em mente são arrogantes (2.10‑12), mas serão castigados por seu comportamento mau (2.13‑22). Pedro relembra seus leitores aquilo que lhes escreveu numa carta anterior (3.1) e exprime seu desejo de faze‑los lembrarem‑se dos ensinos dos profetas e de Jesus, transmitidos através dos apóstolos (2.3). 
Zombadores surgirão nos últimos dias (3.3‑7), mas a vinda do Senhor é certa, muito embora ela ocorra na cronologia do próprio Senhor e não na nossa (3.8‑10). Essa vinda constitui a base para uma exortação ao viver piedoso (3.11): os cristãos devem viver na esperança da hora em que os céus serão destruídos pelo fogo a os elementos se derretendo com o calor, o que conduzira ao aparecimento de novos céus e terra (3.12‑13). Pedro recorda os seus leitores daquilo que Paulo tem escrito e continua a instar com eles a viverem corretamente (3.14‑18).

2 Pedro não foi prontamente aceita como livro canônico devido: 
(1) Sua lenta circulação a impediu de ser amplamente conhecida. 
(2) Sua brevidade e seu conteúdo limitavam muitíssimo o número de citações dela nos escritos dos líderes da igreja primitiva. 
(3) A delonga no reconhecimento significava que 2 Pedro teria de competir com diversas obras mais recentes, as quais reivindicavam falsamente ser petrinas (por exemplo, o Apocalipse de Pedro). 
(4) Diferenças estilísticas entre 1 e 2 Pedro também corroboraram as dúvidas.

Uma série de áreas incomodas desafiam a posição tradicional: 
(1) Há diferenças entre o estilo e vocabulário de 1 e 2 Pedro. O grego de 2 Pedro é irregular e deselegante comparado com o de 1 Pedro, e há igualmente diferenças na informalidade e no uso do Antigo Testamento. Estas diferenças, porém, são amiúde exageradas, e podem ser explicadas pelo uso que Pedro faz de Silvano como seu secretário em 1 Pedro, enquanto 2 Pedro é produto de seu próprio punho. 
(2) Argu­menta‑se que 2 Pedro usou uma passagem de Judas para descrever os falsos mestres, e que Judas foi escrita depois da morte de Pedro, entre­tanto, esta é uma afirmação questionável, é possível que Judas tenha citado Pedro ou que ambos tenham usado uma fonte comum 
(3) A referência a uma coleção de cartas de Paulo (3.15­-16) implica uma data mais recente para esta epístola. Não é necessário, porém, concluir que todas as cartas de Paulo estavam em questão aqui. O contato de Pedro com Paulo e seus companheiros sem dúvida o levou a familiarizar‑se com várias epístolas paulinas. 
(4) Alguns estudiosos alegam que o falso ensino mencionado em 2 Pedro era uma forma de gnosticismo que emergiu após os dias de Pedro, contudo há evidência insuficiente em apoio desta posição.
Esta epístola foi escrita um pouco antes da morte do apóstolo (1.14), provavelmente de Roma. Seu martírio ocorreu entre 64 e 66 d.C.

TEMA E PROPÓSITO  
O tema básico que percorre 2 Pedro é o contraste entre o conhecimento e a pratica da verdade versus a falsidade. 
Esta epístola foi escrita para expor a perigosa e sedutora obra dos falsos mes­tres a advertir os crentes e colocar‑se em guarda contra o "engano dos homens perversos" (3.17).
 Também foi escrita para exortar os leitores: "Crescei na graça a no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo" (3.18), porquanto este avanço para a maturidade cristã é a me­lhor defesa contra as fraudes espirituais. 
Outro propósito desta carta con­siste em proporcionar um "lembrete" (1.12‑13; 3.1‑2) aos leitores acerca dos elementos fundamentais da vida cristã dos quais eles não devem afastar‑se. Isto inclui a certeza do regresso do Senhor em poder a juízo.   
“Contra os Falsos Mestres”
Versiculos‑chave (1.20‑21; 3.9‑11) ‑ "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas homens santos de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo" (1.20‑21).
"O Senhor não retarda sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender‑se. Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, a os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descober­tas.
CRISTO EM II PEDRO
Excluindo o primeiro versículo de sua epístola, Pedro emprega o título "Senhor" sempre que menciona o Salvador. 
O Senhor Jesus Cristo é a fonte do pleno conhecimento e poder para a obtenção da maturidade espiritual (1.2‑3, 8; 3.18). 
Pedro lembra a glória de sua transfiguração no monte santo e antecipa sua parousia, "vinda", quando o mundo inteiro, não apenas três homens e uma montanha, con­templará sua glória.
CONTRIBUIÇÃO À BÍBLIA  
Enquanto 1 Pedro trata da submissão a Deus como a reação correta ao sofrimento vindo de fora, 2 Pedro se concentra no conhecimento da verdade como a reação correta ao erro que vem de dentro. 
As palavras "sofrimento" em 1 Pedro e "conhecimento" em 2 Pedro aparecem dezesseis vezes em diversas formas. 
O "conhecimento" de 2 Pedro envolve não só a compreensão intelectual, mas também a concretização experimental. 
Tem por base a aplicação da verdade espiri­tual para o crescimento na vida do crente.
As duas epístolas de Pedro podem ser contrastadas de diversas formas:
  • Oposição Externa X Oposição Interna
  • Hostilidade X Heresia
  • Antagonismo Apostasia
  • Paciência X Firmeza 
  • Esperança no regresso do Senhor
  • Confiança no regresso do Senhor
  • Santidade  Maturidade
  • "Dor com um propósito"
  • "Veneno nos bancos da igreja
  • Cultivo do Caráter Cristão (1)

A saudação de Pedro (1.1‑2) é uma introdução ao tema principal do capítulo 1, ou seja, o verdadeiro conheci­mento de Jesus Cristo. 
Os leitores são lembrados das "grandes e preciosas promessas" que lhes pertencem em virtude de sua vocação e fé em Cris­to (1.3‑4). Eles foram trasladados da corrupção do mundo para serem conformados a Cristo, Pedro insiste com eles para que avancem, for­jando uma cadeia de oito virtudes cristãs de fé e amor (1.5‑7). Se um crente não transforma a confissão em pratica, torna‑se espiritualmente inútil, pervertendo o propósito para o qual foi chamado (1.8‑11).
Condenação dos Falsos Mestres (2)
A discussão de Pedro em torno da verdadeira profecia o conduz a uma extensa denuncia da falsa profe­cia nas igrejas. 
Esses falsos mestres eram especialmente perigosos em razão de surgirem no seio da igreja e minarem a confiança dos crentes (2.1‑3). A extensa descrição que Pedro faz das características desses fal­sos mestres (2.10‑22) expõe a futilidade e corrupção de suas estratégias. Seus ensinos e estilo de vida cheiram a arrogância e ao egoísmo; suas astutas palavras, porém, são capazes de seduzir os crentes imaturos.

Confiança no Regresso de Cristo (3)

Uma vez mais Pedro declara que esta carta se destina a despertar a mente de seus leitores "com admo­estações" (3.1; cf. 1.13). 
Este capítulo muitíssimo oportuno busca tra­zer‑lhes a lembrança a infalível verdade da parousia iminente (esta pala­vra grega, usada em 3.4, 12, se refere à Segunda Vinda ou Segundo Advento de Cristo), a refutar os escarnecedores que nos últimos dias nega­rão esta doutrina. 
Tais escarnecedores alegarão que Deus não interfere poderosamente nas atividades do mundo; Pedro, porém, chama a aten­ção para três eventos catastróficos, dois passados a um futuro, divina­mente provocados: a Criação, o Dilúvio e a dissolução dos céus a da terra atuais (3.1‑7). 
Pode parecer que a promessa do regresso de Cristo não se cumprirá; isso, porém, não procede, por duas razões: a perspecti­va divina quanto à ação do tempo é completamente diferente da dos homens, e a aparente delonga da parousia se deve à paciência divina por esperar que mais pessoas cheguem ao conhecimento de Cristo (3.8‑9). Não obstante, o dia da consumação virá, e toda a matéria deste universo evidentemente será transformada em energia, da qual Deus formará um novo cosmos (3.10‑13).

A luz desta vinda do dia do Senhor, Pedro exorta seus leitores a culti­var uma vida de santidade, firmeza e desenvolvimento (3.14‑18). 
Ele faz menção das cartas de "nosso amado irmão Paulo" e significativamente a coloca em pé de igualdade com as Escrituras do Antigo Testamento (3.15-­16). 
Depois de uma advertência final sobre o perigo dos falsos mestres, a epístola se encerra com um apelo a maturidade e com uma doxologia.  
ESBOÇO DE II PEDRO

I. Cultivo do Caráter Cristão 1.1‑21

A. Saudação 1.1‑2
B. Crescimento em Cristo 1.3‑14
C. Os Fundamentos da Fé 1.15‑21
D. Experiência da Transfiguração 1.15‑18
E. Infalibilidade das Escrituras 1.19‑21

II. Condenação dos Falsos Mestres . 2.1‑22
A. Perigo dos Falsos Mestres 2.1‑3
B. Destruição dos Falsos Mestres 2.4‑9
C. Descrição dos Falsos Mestres 2.10‑22

III. Confiança no Regresso de Cristo 3.1‑18
A. O Escárnio dos 0ltimos Dias 3.1‑7
B. A Manifestação do Dia do Senhor 3.8‑10
C. Maturidade 0lhando o Dia do Senhor.3.11‑18

A carta de II Pedro tem como objetivo principal advertir contra a apostasia vindoura, quando líderes na igreja, por interesses pecuniários, permitiriam licenciosidade e toda má ação; apostasia em que a igreja deixaria de aguardar a vinda do Senhor, e para dar a entender que essa vinda podia demorar longo tempo.


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