domingo, 22 de dezembro de 2019

O Perdão Bíblico (2ª.Parte)


     Muitas pessoas gostam de falar aos quatro ventos a respeito da importância do perdão, no entanto a ideia de perdão destas mesmas pessoas é bastante diferente e deturpada quando analisamos a questão a luz da Bíblia.

      No início do séc. XX as ideias e preceitos humanistas a respeito do “perdão” tomaram forma e adquiriram força dentro da sociedade, e infelizmente também adentraram nas igrejas através de líderes religiosos que optaram por ideias agradáveis a si mesmos e aos membros das congregações, em detrimento dos verdadeiros ensinamentos bíblicos a respeito do assunto.

      Vejam bem, a ideia de que as pessoas, por serem perdoadas por Deus, deveriam perdoar seus próprios transgressores é comum à maioria das religiões – especialmente as três grandes tradições monoteístas – que vêm articulando o conceito de perdão por milênios, sentimentos como a injustiça e mágoa – situações que podem ser manejadas por meio do perdão – fazem parte da rotina dos relacionamentos em família, na escola e no trabalho, ocasionado, muitas vezes, por aqueles que são mais próximos.

   Com o advento da Psicologia (Ciência relativamente nova), é possível identificar, já na década de 30, artigos teóricos e trabalhos empíricos ainda modestos, elaborados para entender minimamente alguns aspectos relacionados ao comportamento de perdoar. Entretanto, é somente a partir da década de 80 que surge um interesse mais intensivo e metodologicamente estruturado voltado para o estudo do perdão.

    O interesse e os estudos que envolvem o perdão começaram a surgir no Brasil – ou melhor, a ser divulgados – apenas na primeira década de 2000, sendo possível encontrar referências ao tema em alguns livros e artigos que vêm sendo publicados desde então, sendo assim aspectos da Psicologia positiva, apontam o perdão como uma das características passíveis de serem estudadas e aplicadas cientificamente e que poderiam promover condições para o desenvolvimento pleno, saudável e positivo dos aspectos biológicos e sociais dos seres humanos.

    O ato de perdoar ao invés de se vingar, passou a ser encarado como bom para o psicológico da pessoa além de demonstrar um sentimento altruísta interior que seria bem visto pelas outras pessoas.

  “Perdoar” psicologicamente passou a ser ensinado nas igrejas, um tipo de perdão “agradável” por que não envolve nem um tipo de renúncia pessoal; eu digo que perdoei e pronto, mas posso continuar magoado (a), me afastar da pessoa que me traiu ou magoou, eu perdoou quem fala mal de mim, mas eu mesmo me afasto do convívio com estas pessoas.

Este nunca foi ou será o tipo de Perdão ensinado pela Bíblia

    O perdão ensinado na Bíblia obrigatoriamente passa por um caminho de renúncia pessoal, mas este caminho da renúncia quase sempre é o mais difícil de viver e o menos ensinado em muitas denominações religiosas, infelizmente.

   A coerência do bom uso do Evangelho ocorre quando o próprio leitor, ofendido pela traição e pelo repúdio do seu cônjuge por exemplo, gostaria de seguir um novo caminho, uma busca pela felicidade pessoal; mas não o faz porque sabe que tal atitude desagradaria e muito ao SENHOR; e ele próprio termina se convencendo do caminho mais difícil e estreito, da santidade e da obediência a vontade de Deus.

"Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta" (Mt 5,23-26)

    É importante notarmos que nem receber nossas ofertas Deus o faz sem que antes busquemos o perdão; um segundo ponto que também é “ignorado” é que a busca pelo perdão parte da parte “ofendida” - e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão – e não ficar esperando que o ofensor venha pedir perdão.

   Perdão È REESTABELECER LAÇOS, não existe, nem jamais existira no Cristianismo ideias como “Eu perdoo, mas vou me afastar”, “Eu perdoo, mas não preciso conviver”, “Eu perdoo, mas posso me separar”; todas estas ideias são Carnais, Mundanas, e Egoístas, baseadas no que eu quero, no que eu acho, no que vai me fazer bem; e só entraram na igreja a partir do momento que pessoas buscaram ideias humanistas em detrimento do Ensino Bíblico Verdadeiro.

1Co.13:4-7

4 O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha.
5 Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
6 O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

    Amor e perdão são duas faces da mesma moeda, e são duas qualidades cristãs que devem ser colocadas em prática a todo momento.

·        Não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor – ou seja perdoa
·        Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta – ou seja perdoa

Deus perdoa todos os dias nossas faltas, pecados e traições; e sempre nos mantém junto a Ele, nosso ato de perdoar TEM QUE SER um reflexo do perdão d’Ele, perdoamos e restabelecemos laços com quem nos ofendeu; ou você prefere que Deus lhe perdoe mas não conviva mais com você?

No Sermão do Monte Jesus demonstra a forma de perdão cristão que devemos praticar.
Lc 6.27-30
38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.  
39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra; 
40 e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa. 
41 Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas. 
42 Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.

O amor ao próximo
Lc 6.32-36
43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. 
44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; 
45 para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos. 
46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? 
47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo? 
48 Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.

Nosso amor precisa ser perfeito como o do Pai, e nosso perdão tem que ser aquele reconciliador, o que restabelece os laços rompidos, o que aproxima novamente assim como é o de Deus.

Deus abençoe a todos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Casamentos Restaurados no Senhor

  A restauração de um casamento não começa quando o outro muda, mas quando cada um assume a responsabilidade por suas próprias atitudes. A a...