3. Tiago Zebedeu
Tiago, o mais velho dos dois apóstolos filhos de
Zebedeu, aos quais Jesus deu o nome de “filhos do trovão”, estava com trinta
anos quando se tornou apóstolo. Era casado, tinha quatro filhos e vivia próximo
dos seus pais, nos arredores de Cafarnaum, em Betsaida. Era um pescador e
exercia a sua profissão em companhia de João, o seu irmão mais jovem, e
associado a André e Simão. Tiago e o seu irmão João haviam conhecido Jesus
antes de qualquer dos outros apóstolos.
Possuía um temperamento
contraditório; ele parecia realmente possuir duas naturezas, ambas de fato movidas
por sentimentos fortes, muitas vezes a personalidade de Tiago era muito
semelhante à de André, era um orador público muito melhor do que a maioria dos
apóstolos - Depois de Pedro, e talvez de Mateus - Tiago era o melhor orador
público entre os doze.
O traço notável da personalidade
de Tiago era a sua capacidade de ver todos os lados de uma questão, senso assim,
era ele quem chegava o mais próximo de captar a importância e o significado
real do ensinamento de Jesus.
Embora Tiago e João tivessem os seus problemas
tentando trabalhar juntos, eles nutriam uma grande afeição entre si; e sempre
haviam sido bons companheiros na recreação. Foram esses “filhos do trovão” os
que quiseram pedir que o fogo do céu descesse no intuito de destruir os
samaritanos que ousaram demonstrar falta de respeito pelo seu Mestre. Contudo,
a morte prematura de Tiago modificou muito o temperamento veemente de João, o
seu irmão mais novo.
Tiago Zebedeu era um pensador e
um planejador bem equilibrado. Junto com André, ele era um dos mais ponderados
do grupo dos apóstolos. Era um indivíduo vigoroso, mas nunca tinha pressa para
nada.
E deve mesmo ficar claro que foi a mãe de Tiago e
João - por si própria - quem fez o pedido para serem concedidos, aos seus
filhos, os lugares à mão direita e à mão esquerda de Jesus.
Quando Jesus perguntou se eles estavam prontos para
beber do cálice, eles responderam afirmativamente. E, quanto a Tiago, isso
acabou sendo a verdade ao pé da letra - ele bebeu do cálice com o Mestre - visto
ter sido ele o primeiro dos apóstolos a sofrer o martírio, sendo muito cedo
colocado à morte pela espada de Herodes Agripa.
Herodes Agripa temia a Tiago acima de todos os
outros apóstolos. De fato muitas vezes ele permanecia quieto e silencioso, mas,
quando as suas convicções eram estimuladas e desafiadas, ele tornava-se
corajoso e determinado.
Tiago viveu a vida na sua
plenitude e, quando o fim chegou, comportou-se com tanta dignidade e fortaleza
que até mesmo o seu acusador e denunciador, que testemunhou o seu julgamento e
execução, ficou tão tocado que se afastou às pressas da cena da morte de Tiago
para juntar-se aos discípulos de Jesus.
4. João Zebedeu
Quando se tornou apóstolo, João
estava com vinte e quatro anos (Idade mais aceita pelos historiadores) e era o
mais jovem dos doze. Sendo solteiro, vivia com os seus pais em Betsaida; era
pescador e trabalhava com o seu irmão Tiago, em sociedade com André e Pedro.
João funcionou como o agente
pessoal de Jesus para cuidar da família do Mestre, e continuou com essa
responsabilidade enquanto Maria, a mãe de Jesus, viveu.
O fato de que João fosse um dos três auxiliares
pessoais de Jesus emprestou mais ênfase a idéia errônea de que ele fosse mais
amado por Jesus do que os outros, para não mencionar que João, junto com o seu
irmão Tiago, conhecia Jesus há mais tempo do que os outros.
Pouco depois da seleção dos doze, e na época em que
indicou André para atuar como dirigente do grupo, Jesus disse a André: “E agora
eu desejo que tu designes dois ou três dos seus companheiros para estarem
comigo e para permanecer ao meu lado, para me confortar e para ministrar às
minhas necessidades diárias”. E André achou melhor selecionar, para esse dever
especial, os outros três primeiros apóstolos escolhidos depois dele, e assim,
imediatamente, ele apontou Pedro, Tiago e João para permanecerem mais próximos
de Jesus.
O traço mais forte do caráter
dele era a sua confiabilidade; “discípulo a quem Jesus amava”, muito
certamente, ele sabia que era o discípulo em quem, com tanta frequência, Jesus
confiava.
Ele falou e escreveu sobre o amor; Esse “filho do
trovão” tornou-se o “apóstolo do amor”; e, em Éfeso, quando bispo e já idoso,
não sendo mais capaz de permanecer de pé no púlpito e de pregar, tendo de ser
carregado até a igreja numa cadeira e, ao final do serviço, diante do pedido de
que dissesse algumas palavras aos crentes, durante anos, a única expressão de
João era “Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros”.
Ele foi o apóstolo que seguiu
junto com Jesus, na noite em que o aprisionaram, e que ousou acompanhar o seu
Mestre até às portas da morte, João esteve presente, e ao alcance da mão, até a
última hora terrena de Jesus e desempenhou fielmente a sua missão em relação à
mãe de Jesus e manteve-se pronto para receber outras instruções mais, que
pudessem ser dadas naqueles últimos momentos da existência mortal do Mestre.
Uma coisa é certa: João era
profundamente confiável. Em geral, João assentava-se à direita de Jesus, quando
os doze estavam tomando refeições. Ele foi o primeiro dos doze a acreditar,
real e plenamente, na ressurreição, e foi o primeiro a reconhecer o Mestre
quando ele veio, até junto deles, na praia, depois da sua ressurreição.
Foi o principal apoio de Pedro,
no Dia de Pentecostes, vários anos depois do
martírio de Tiago, João casou-se com a viúva do seu irmão. Uma das suas netas,
que muito o amava, tomou conta dele nos últimos vinte anos da sua vida.
João esteve na prisão por várias
vezes e foi banido para a ilha de Patmos, por um período de quatro anos, até
que um outro imperador chegasse ao poder em Roma.
Quando, no exílio temporário em
Patmos, João escreveu o Livro da Revelação.
João viajou muito, trabalhou
incessantemente e, depois de tornar-se bispo das igrejas da Ásia,
estabeleceu-se em Éfeso. Ele orientou o seu colaborador, Natam, na redação do
chamado “evangelho segundo João”, em Éfeso, quando tinha noventa e nove anos de
idade. De todos os doze apóstolos, João Zebedeu finalmente tornou-se o mais
destacado teólogo. Ele morreu de morte natural, em Éfeso, no ano 103 d.C.,
quando tinha cento e um anos.
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